MULTICULTURALISMO
O Multiculturalismo
é o reconhecimento das diferenças, da individualidade de cada um. Eis então que
surge a confusão: Se o discurso é pela igualdade dos direitos, falar então em
diferenças parece ser uma contradição.
A igualdade de que se refere é igualdade
perante a lei, é a igualdade relativa aos direitos e aos deveres. As diferenças
às quais o Multiculturalismo se refere são as diferenças de valores, costumes,
etc, uma vez que se trata de indivíduos de raças diferentes entre si.
No Brasil, o
convívio multicultural não deveria representar um obstáculo, pois a sociedade
brasileira resulta da mistura de raças (negra, branca, índia), cada qual com
seus valores, seus costumes, seu modo de vida, e da adaptação dessas culturas
umas às outras, numa troca de culturas. Devemos entender que dessas misturas de
culturas nasce um brasileiro.
Somos filhos desse hibridismo, e somos
mundialmente conhecidos por abrigar diversas culturas, portanto, espera-se de
nós, como brasileiros, que lidemos facilmente com as diferenças.
Mas infelizmente não é assim que acontece.
Sendo as culturas produtos de determinados
contextos sociais, se determinada cultura é posta em contato com outra,
necessariamente, sob pena de ser sufocada, uma delas se adaptará à outra. Tal
exigência de adaptação às necessidades sociais não é especificidade do mundo
globalizado. A adaptação das culturas é algo próprio de cada momento, uma vez
que a sociedade se transforma conforme se constrói a história. Cada sociedade
busca para si aquilo de que necessita em certo momento. Assim, se determinada
cultura não lhe serve, então, deverá adaptar-se ou desaparecerá.
As sociedades de hoje, nas quais é preciso
distinção dos indivíduos para que se identifiquem enquanto seres humanos e
enquanto membros de determinado contexto social, e também, diante das
possibilidades postas pela globalização, o conflito de culturas é inevitável,
contudo, necessário.
A globalização aproxima cada vez mais grupos
de culturas diferenciadas. Assim, a diversidade cultural deixa de ser alvo de
intensos debates. Um grande desafio frente colocado por essa realidade é que se
pretende o igual, mas ao mesmo tempo, exige-se o diferente.
Independente de quais forem as exigências do
mundo globalizado, recentemente se afirma a certeza do necessário convívio em
uma sociedade cuja realidade é multicultural. Para isso, é preciso reconhecimento
e respeito as diferenças de cada individuo.
O reconhecimento faz a diferença, ele é quem
dá o ponto de partida para que se possa conviver em harmonia, não com os
iguais, já que igualdade só deve existir do ponto de vista legal, mas sim, do
ponto de vista humano e social.
Atualmente, as escolas por serem consideradas
como espaço legitimo onde se dá o processo de socialização, é por esse motivo,
o ambiente mais apropriado no qual mais se discute a diversidade, seja ela
racial, cultural e social.
Atualmente, para que este processo aconteça é
necessário o convívio multicultural que implica respeito ao outro.
INTRODUÇÃO
O presente artigo tem como objetivo
analisar a realidade sobre o preconceito sexual, onde podemos perceber que até
hoje a sexualidade continua sendo um assunto de grande intriga para o ser
humano.
Embora
muitas mudanças tenham acontecido no mundo em que vivemos, tanto como a
tecnologia, a modernidade surgindo, e algumas pessoas continuam agindo com
indiferença quando a homossexualidade é abordada, continuando assim com seus
preconceitos e idéias primitivas diante desse assunto. Nesse artigo pretendemos
identificar e conhecer realmente como as pessoas homossexuais enfrentam no dia
a dia esse preconceito.
A palavra
preconceito, assim como é definido na sociologia e para Paula Faria, o próprio
nome já diz, é algo que está preconcebido ou predeterminado é a atitude de
espanto e indignação das pessoas diante daquilo que é diferente a elas ou aos
seus padrões dentro de uma sociedade. Sem saber o que é realmente aquilo que
está a nossa frente criaram esse preconceito, onde muitas vezes julgamos outras
pessoas injustamente ou as maltratamos, sem pensar nas consequências desses
atos.
Para
tanto se utilizou principalmente os autores que abordaram em seus livros
questões relacionadas com o tema, como Marta Suplicy, Perry Garfinkel, Sigmund
Freud e Burrhus Frederic Skinner.
A
pesquisa visa identificar se as questões expostas pela literatura consultada se
fazem presente em nossa sociedade.
EGO
Mas, existe
uma função reguladora deste "princípio do prazer", que atua como uma
censura ante aos nossos desejos, que é chamada de ego. Precisamos desta função
reguladora para nos adaptar ao meio em que vivemos. Nós mesmos começamos a
reprimir nossos próprios desejos, já que percebemos que não vamos poder
realizar tudo o que quisermos.
Pôde se
concluir que um dos motivos que levam um homossexual a não querer se expor,
segundo Garfinkel (1985), seria que: “Os homossexuais assimilam muito dos
estereótipos que o público acata como sendo verdade, e este acaba criando uma
auto-aversão de si próprio”.
De acordo com a literatura consultada, principalmente de Garfinkel e Suplicy,
pode-se perceber que o preconceito e a visão estereotipada do homossexual é
antiga. Apenas o que mudou foi que apesar do homossexual sempre estar presente
em nosso meio e sempre ter existido, eles eram encobertos pela sociedade e até
mesmo algumas vezes reprimidos pela mesma, e passaram a lutar mais por seus
direitos como cidadão, a reivindicar mais.
No
entanto, constatou-se que o preconceito não parte somente da sociedade e sim também
do próprio homossexual, pois eles próprios deixam de frequentar lugares, sentem
medo de que sua sexualidade interfira nos seus assuntos acadêmicos e
profissionais. Até mesmo na hora em se referir a si mesmos eles se referem como
pessoas diferentes ou inferiores, pois muitas vezes limitam-se sem perceber com
seus dizeres ou com seus atos e gestos.
O preconceito dos entrevistados se faz presente principalmente quando um deles
relata não querer adotar uma criança simplesmente pelo fato de não ser egoísta
e pensar nessa criança, no preconceito que ela sofreria nos lugares que
frequentasse, o que ela própria pensaria por ter um “pai” e uma “mãe” do mesmo
sexo, isso demonstra que muitas das vezes que acreditam estar sendo alvo de
preconceito pelas pessoas da sociedade esses homossexuais assumem em primeiro
lugar por própria iniciativa um preconceito estabelecido sobre si, pois não dão
abertura para outras pessoas ou estão sempre com essa ideia fixa na cabeça que
todos estão olhando ou falando deles.
FONTE: PORTAL EDUCAÇÃO
CULTURA
HOMOSSEXUAL
Mais de 2 milhões de pessoas devem acompanhar,
hoje, a parada gay na Avenida Paulista. Muitos lembrarão que até mesmo no nome
ela deve algo ao movimento gay americano e ao modelo que adotou, vindo dos EUA,
mas o fato é que já existe uma homocultura brasileira que permite, por exemplo,
o lançamento simultâneo de quatro livros sobre o assunto, um deles escrito por
um padre inglês, católico, que escolheu o Brasil para viver, James Alison (leia
entrevista nesta página), autor de Fé Além do Ressentimento. Os outros três livros,
de alguma forma, dialogam entre si, tratando da evolução dessa homocultura não
só no Brasil como no mundo.
Retratos do Brasil Homossexual - Fronteiras,
Subjetividades e Desejos reúne ensaios apresentados no IV Congresso da Abeh -
Associação Brasileira de Estudos da Homocultura, realizado em 2008. Em Cine
Arco-Íris (Edições GLS), o ativista paulistano Steve Lekitsch faz um apanhado
de 270 filmes com temática homossexual realizados nos últimos 100 anos.
Finalmente, em La Identidad Homosexual - De Platón a Marlene Dietrich, Paolo
Zanotti, professor italiano de Literatura, examina a formação da homocultura
desde os antigos gregos até Marlene Dietrich, ícone gay por causa de filmes
como Marrocos. Nos últimos anos de vida, a atriz estava tão obcecada pela ideia
de que podia ser contaminada pelo vírus da aids que evitava abrir cartas de
seus fãs homossexuais, encarregando a filha de espalhar, após sua morte, que a
mãe se contagiou pelo correio.
Essa revelação de La Identidade Homossexual vem
seguida de uma interessante observação do autor. Zanotti, recorrendo à ensaísta
americana Susan Sontag, diz que os gays reagiram à aids - e às atitudes
adversas como a de Dietrich - usando a estratégia de dar uma imagem de si
mesmos a mais saudável possível. Essa imagem de saúde pós-aids, que se traduz
nos "sarados" da parada gay, coincide, segundo Zanotti, com o único
ideal de autocontrole proposto em nossos dias - "o autocontrole em nome do
corpo, da dieta, da forma física". Desde os anos 1980, esse ideal, diz o
autor, se difunde com sucesso. O homem gay, conclui, "se converteu num
exemplo mais aperfeiçoado do macho prototípico, um hedonista com corpo de
ginasta."
Zanotti vai mais longe, citando Pasolini. Quando
o cineasta italiano se rebelou contra a "nova" homossexualidade,
estaria justamente criticando a identificação dos gays com traços da cultura
que o oprime. Talvez isso explique o sucesso do filme O Segredo de Brokeback
Mountain (foto maior), um dos analisados no livro Cine Arco-Íris, ao envolver
dois caubóis rudes num relacionamento que termina de forma trágica, com um
deles sendo espancado até a morte por homofóbicos. O autor do livro, Lekitsch,
não adota o tom ensaístico de Zanotti. Escreve apenas pequenas sinopses dos
filmes, esquecendo títulos fundamentais que tiveram um papel histórico na luta
pelo reconhecimento dos direitos civis dos homossexuais, como Meu Passado Me
Condena (Victim, 1961), o filme de Basil Dearden que ajudou a mudar a lei que
considerava a homossexualidade crime na Inglaterra.
A homocultura e os direitos humanos, aliás, é o
primeiro capítulo de Retratos do Brasil Homossexual. No texto inaugural, a
advogada Maria Berenice Dias analisa a união homoafetiva na Constituição
Federal e propõe a elaboração de um Estatuto da Diversidade Sexual, a exemplo
dos estatutos do Idoso, da Criança e do Adolescente. A inexistência de um
"discurso específico da homocultura", conclui o escritor João
Silvério Trevisan no livro, revela que o movimento pelos direitos homossexuais
no Brasil "continua tateando até hoje".
De qualquer forma, o papel dos pioneiros é
lembrado no livro até por estudiosos estrangeiros como o acadêmico Robert
Howes, do King"s College de Londres. Ele analisa a obra literária do pouco
conhecido escritor pernambucano Gasparino Damata, um dos criadores do Lampião
(primeiro jornal gay brasileiro), que foi suboficial no United States
Transportation Corps na 2ª Guerra e relatou sua experiência amorosa com um
soldado americano em Queda em Ascensão, publicando depois A Sobra do Mar (1955),
sobre um marinheiro que é desejado pelo capitão do navio, como o Querelle de
Genet. Graças a Damata e outros pioneiros, como Adolfo Caminha, autor de O Bom
Crioulo, os gays desfilam hoje, orgulhosos, em carros alegóricos, não em
deprimentes viaturas de polícia.
FONTE: ESTADÃO 26/06/2011
Homofobia na escola
Quando falamos sobre a homo e até mesmo sobre
a bissexualidade, ainda são assuntos delicados no ambiente escolar. O
preconceito ainda existe tanto pelos alunos como por alguns professores, e a
falta de técnicas pedagógicas adequadas para lidar com essa diversidade sexual
faz com que a homofobia seja um problema presente nas salas de aula, não só do
Brasil mas de todo o mundo. Um estudo divulgado em 2004 pela Organização das
Nações Unidas para a educação (UNESCO) revelou que quase 40% dos alunos
entrevistados não gostariam de ter homossexuais como colegas de turma, e mais
de 35% dos pais prefeririam que estes não fossem amigos de seus filhos. No
ambiente escolar, tanto a homo quanto a bissexualidade seriam considerados como
desvios de conduta.
De
xingamentos à agressões físicas, o preconceito tem várias formas de
manifestação entre crianças e adolescentes. Piadas, cochichos e a exclusão e as
agressões físicas e verbais trazem conseqüências psicológicas para o jovem. O
preconceito pode muito bem acabar interferindo no seu desenvolvimento escolar,
suas relações sociais e a auto aceitação.
O olhar homofóbico tem muitas origens. De
muitas delas, nenhuma se destaca mais do que a família. Desde pequenas as
crianças são orientadas pelos pais e familiares a distinguir os brinquedos,
roupas, até mesmo desenhos, de menino dos de menina. Os pais acham que estão
ajudando na educação e formação dos filhos, porém, tudo o que conseguem é
influenciar o olhar preconceituoso da criança.
Muitos pais não aceitam a orientação sexual de seus filhos
por medo de que estes sofram preconceito, alguns discriminam por acharem uma prática e uma forma de vida
abominável perante Deus e a sociedade que eles, os pais, não querem se
envolver.
Eis que então surge a seguinte questão: COMO DEVE SER DIISCUTIDA A HOMOSSEXUALIDADE NA ESCOLA? Para isso
acontecer, é necessário que exista um vínculo entre profissionais da educação e
os estudantes, para que assim, ambos se sintam confortáveis ao tratar da
temática e para expressar que as orientações sejam assimiladas.
Como o professor deve lidar com o assunto?
O professor deve abordar o
tema da maneira mais delicada possível, afinal de contas a homossexualidade
ainda é considerada tabu, tudo deve ser debatido conforme a necessidade da
classe.
É
importante deixar claro que, existem pessoas que sentem desejo pelo sexo oposto
(heterossexuais), e existem outras que sentem isso pelo mesmo sexo
(homossexuais). Abordar temas assim faz parte do trabalho do professor que
decide abordar a temática sexual em sala de aula. O professor deve ainda
ressaltar que o desejo pelo mesmo sexo não é uma vergonha, nem um crime e muito
menos uma doença, essa informação é algo
que deve ser de conhecimento tanto dos alunos quanto dos pais.
Como lidar com a homofobia na escola?
A
alternativa é sempre fazer da ampliação da cidadania tema das aulas. Ou seja,
se o professor trabalhar com os estudantes os princípios da dignidade humana,
da liberdade e da igualdade, a sala de aula irá se tornar um campo fértil para
boas práticas pedagógicas sobre o tema. É importante passar informações
cientificas e propiciar o debate de temas pertinentes à idade de cada turma,
tentando sempre aplacar as angústias dos adolescentes em relação ao assunto. A
seguir alguns métodos para lidar com a homofobia e as diversas orientações
sexuais na escola:
-
Reprimir os comentários preconceituosos entre os alunos. - Acolher e fortalecer
os jovens que se isolam do grupo por ter comportamento diferente do padrão -
Promover um debate franco sobre a necessidade de respeitar as diferentes
orientações sexuais - Incentivar que os estudantes tirem as próprias
conclusões. - A opinião do professor sobre o tema deve ser dada apenas no final
das discussões - Apresentar aos alunos dados e pesquisas sócio-culturais sempre
que possível - Manter a discussão genérica, sem se intrometer na intimidade da
garotada - Propor atividades que favoreçam a participação dos mais tímidos -
Fazer um "contrato" com a turma para garantir que tudo o que for
discutido não seja usado em comentários maldosos nos corredores nem para julgar
os colegas - Convidar os pais, sempre que possível, a participar de um
bate-papo sobre homofobia e diversidade sexual em sala de aula com os
estudantes Como lidar com a homofobia em casa? Assim como na escola, é preciso
muito diálogo e cuidado para não incentivar possíveis preconceitos. Jamais
critique os homossexuais e, se perceber que seu filho está nutrindo algum tipo
de preconceito, converse sobre isso com ele. Assim como o racismo e o
antissemitismo, a homofobia não pode ser tolerada em casa, na rua e muito menos
na escola.